Formação da Lingua Portuguesa

Formação da Língua Portuguesa
O português desenvolveu-se na parte ocidental da Península Ibérica a partir do latim falado trazido pelos soldados romanos desde o século III AC. A língua começou a diferenciar-se das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano e das invasões bárbaras no século V DC. Começou a ser usada em documentos escritos cerca do século IX DC, e no século XV DC já se tinha tornado uma língua com uma rica literatura.
Línguas que influenciaram a língua portuguesa:
É sabido que todas as línguas do mundo sofrem influências de outras línguas. Com o português isso não é diferente. São abundantes as palavras e expressões estrangeiras presentes em nosso idioma. Algumas por puro modismo, por exemplo, menu (em vez de cardápio), corner (por escanteio), back (no lugar de zagueiro ou beque), enquete (em substituição a pesquisa), premier (em vez primeiro-ministro), teens (por adolescentes), performance (no lugar de desempenho ou atuação) etc. Outras, entretanto, são indispensáveis, por não haver equivalentes na língua portuguesa, como exemplo: dumping, rush, iceberg, pizza, hippie. Há também palavras que foram aportuguesadas e incorporadas ao nosso idioma, tais como: abajur, bife, xampu, futebol judô, tênis etc.
Línguas Indígenas:
Antes da chegada dos portugueses, estima-se que cerca de 1.500 línguas diferentes eram faladas no território que veio a ser o Brasil. Essas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruaque. Há famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. São elas: Karib, Pano, Maku, Yanomami, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru. Evidentemente, o fato de duas sociedades indígenas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente.
Apesar de o Brasil ter sido descoberto oficialmente em 1500 pelos portugueses, sua colonização começou efetivamente em 1532, de forma gradativa. Nestes trinta anos, o Brasil foi atacado pelos holandeses, ingleses e franceses que tinham ficado de fora do Tratado de Tordesilhas (acordo entre Portugal e Espanha, em 1494, que dividiu as terras recém descobertas). No ano de 1530, o rei de Portugal organiza a primeira expedição com objetivos de colonização. Foi comandada por Martim Afonso de Sousa e tinha como objetivos povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. Com isso a língua portuguesa passa a ser usada factualmente no território hoje conhecido como Brasil. Ao mesmo tempo, outras nações européias vêm para o Brasil, como a França e a Holanda (que chegou a instalar uma colônia na região que é hoje o Estado de Pernambuco).
No início da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada numa enorme extensão de território ao longo da costa atlântica. Hoje em dia especula-se erroneamente, que, no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram uma minoria entre a população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, teria se intensificado e generalizado-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro e, com o decorrer do tempo, teria-se modificando e, a partir da segunda metade do século XVII, passado a chamar-se de língua geral.
Anhagabaú; Itaipú; abacaxi; aipim; caatinga; tucunaré.

Apresentamos, a seguir, uma relação com os estrangeirismos mais vulgarizados entre nós.
Vejamos:
DO FRANCES:
BALLET - “bailado”;
COMPLÔ - “trama, conspiração”;
DALAI-LAMA - oriundo do mongol: título do líder supremo do budismo;
ENQUÊTE - “pesquisa de opinião, inquérito, investigação, sondagem, sindicância”;
MONSIEUR ¬- “Senhor”;
REPRISE - “repetição, reposição”;
RÉVEILLON - festa com baile e ceia que se faz na véspera do ano novo;
TOUR - passeio turístico;
DO JAPONÊS
KAMIKAZE - ao pé da letra, “vento divino”; termo usado em referência aos pilotos suicidas da Marinha Imperial Japonesa, no período da Segunda Guerra Mundial;
SASHIMI - fatia de peixe cru, saboreada com molho de soja;
SUSHI - bolinho feito de arroz, peixe cru, ovas de peixe e outros ingredientes;
YAKISOBA - comida feita de macarrão com carnes e verduras;
YAKUZA - máfia japonesa.
DO CHINÊS:
YING/YANG (do chinês), sendo ying a sombra, o negativo, o feminino, a terra; e yang a luz, o positivo, o masculino, o céu. Em outras palavras, “é a união dos opostos”;
KUNG FU - arte marcial de autodefesa que remonta ao século VI d.C.;
TAICHICHUAN - série de exercícios físicos, cujos objetivos são: a meditação, a saúde e a autodefesa;
TSCHEN TSCHIU - a Acupuntura.
DO ALEMÃO
GESTAPO - abreviação de Geheime Statts Polizei: Polícia Secreta do Estado (alemão);
FÜHRER - condutor, chefe; título tomado pelo grande ditador alemão Hitler, em 1934;
KITSCH - ao pé da letra, “lixo”; termo usado para designar uma arte vulgar, de péssimo gosto, popular etc.;
REICH - Império, Reino; a Nação Alemã.
DO RUSSO
GLASNOST - ao pé da letra “transparência” (contra a corrupção político-administrativo); ato de tornar público;
PERESTROIKA - reforma político-econômica iniciada na antiga União Soviética por Mikhail Gorbachev, em 1985;
TZAR (czar) - título adotado pelos antigos soberanos russos no período de 1547 a 1721.
DO INGLÊS
ALL RIGHT - “de acordo, está bem, isso mesmo”;
APARTHEID - segregação racial;
BEST-SELLER - livro de grande tiragem e de grande venda; o livro mais vendido; grande sucesso das editoras; BIKE - “bicicleta”;
BLACK-OUT - ao pé da letra: “exterior negro” ou “negrume”. Designa a ausência total de luz; no Brasil usou-se a forma portuguesa “apagão”;
BLUE-JEAN - “brim azul”. Diz respeito a um tipo de roupa inventada em 1874, nos Estados Unidos, por Levi Straus e Jacob Davis;
BREAK FAST - “café da manhã”;
CHECK-UP - exame médico abrangente que permite o estudo correto dos órgãos;
DELIVERY - entrega em domicílio;
DESIGN - “projeto, desenho, esboço”;
EXPERT - “hábil, perito, especialista”;
FAST-FOOD - refeição rábida;
GREENPEACE - literalmente: “paz verde”. Trata-se de uma organização ecológica internacional;
IMPEACHMENT - “afastamento”;
Colonização romana
Em 20 AC, os romanos conquistaram a parte ocidental da Península Ibérica, composta principalmente pelas províncias romanas da Lusitânia e da Galécia (actualmente, essa região compreende as regiões centro-sul de Portugal e a recentemente constituída euro-região Galiza-Norte de Portugal). Até então estes povos tinham-se mantido autónomos. Os soldados romanos trouxeram com eles uma versão popular do Latim, o Latim Vulgar, do qual se acredita que descendem todas as línguas latinas e que contribuiu com cerca de 90% do léxico do português. Embora a população da Península Ibérica se tenha estabelecido muito antes da colonização romana, poucos traços das línguas nativas persistiram no português moderno. Os únicos vestígios das línguas anteriores encontram-se numa parte reduzida do léxico e na toponímia da Galiza e Portugal.

Invasões bárbaras
Ver artigo principal: Invasões bárbaras da Península Ibérica
Entre 409 DC e 711 DC, enquanto o Império Romano entrava em colapso, a Península Ibérica foi invadida por povos de origem germânica, conhecidos pelos romanos como bárbaros. Estes bárbaros (principalmente os Suevos e os Visigodos) absorveram rapidamente a cultura e língua romanas da península; contudo, devido ao encerramento das escolas romanas, o latim evoluiu sozinho. Como cada tribo bárbara falava o latim de maneira diferente, a uniformidade da península terminou, levando à formação de línguas bem diferentes (galaico-português ou português medieval, espanhol e catalão). Acredita-se, em particular, que os suevos sejam responsáveis pela diferenciação linguística dos portugueses e galegos quando comparados com os castelhanos. É, ainda, na época do reino Suevo que se configuram os dias da semana proibindo-se os nomes romanos. As línguas germânicas influenciaram particularmente o português em palavras ligadas à guerra e violência, tais como "Guerra". As invasões deram-se em duas ondas principais. A primeira com penetração dos chamados bárbaros e a assimilação cultural Romana. Os "bárbaros" tiveram uma certa "receptividade" a ponto de receber pequenas áreas de terra. Com o passar do tempo, seus costumes, língua, etc. perderam-se, porque não havia uma renovação do contingente de pessoas e o seu grupo era em número reduzido. Uma segunda leva foi mais lenta, não recebeu terras e foi constituída por grandes números de pessoas devido à proximidade das terras ocupadas com as fronteiras internas do Império Romano.

Invasão dos mouros
Ver artigo principal: Invasão muçulmana da Península Ibérica
Desde 711 DC, com a invasão da península pelos mouros (a partir do Norte de África), o árabe foi adaptado como língua administrativa nas regiões conquistadas. Contudo, a população continuou a falar latim vulgar; logo que os mouros foram expulsos, em 1249 (conquista de Faro), verificou-se que a influência exercida pelo árabe na língua foi pequena, exceptuando no léxico: o português moderno ainda tem um grande número de palavras de origem árabe, especialmente relacionadas com comida e agricultura, o que não tem equivalente noutras línguas latinas. A influência árabe é também visível nos nomes de locais no sul do país, tais como "Algarve" e "Alcácer do Sal". Muitas palavras portuguesas que começam por al- são de origem árabe.

O despertar da Língua Portuguesa
Ver artigo principal: Reconquista
Já na época romana existiam duas provincias diferentes nos territórios em que se formou a língua portuguesa, a antiga província romana da Lusitânia e a província da Galécia, a norte. A língua portuguesa desenvolveu-se principalmente no norte de Portugal e na Galiza, nos condados lucense, asturicense e bracarense da província romana da Galécia coincidentes com o território político do Reino Suevo, e só posteriormente, com a Reconquista foi avançando pelo que atualmente é o centro-sul de Portugal. Porém, a configuração atual da língua foi largamente influenciada por dialectos moçárabes falados no sul, na Lusitânia. Durante muito tempo, o dialecto latino dessa província romana e depois do Reino Suevo desenvolveu-se apenas como uma língua falada, ficando o latim reservado para a língua escrita.
Os Registos mais antigos da Língua Portuguesa
Os registos mais antigos da língua portuguesa aparecem em documentos notariais do século IX escritos em ‘latino-romance’, língua escrita de base tardo-latina com muitas interferências do vernáculo.
O mais antigo documento latino-português conhecido, datado do ano de 870 DC, é a Doação à Igreja de Souselo; trata-se, no entanto, de uma cópia do século XI. O mais antigo documento latino-português original conhecido é a Carta de Fundação e Dotação da Igreja de S. Miguel de Lardosa, datada de 882 DC.
A Notícia de Fiadores, de 1175, é, segundo alguns estudiosos, o documento datado em escrita portuguesa mais antigo conhecido. É uma pequena lista de nomes que termina com uma única frase que apresenta sintaxe e morfologia portuguesas. A caracterização da Notícia de Fiadores como o “mais antigo” não foi consensualmente aceite na comunidade de filólogos portugueses.
Segundo outros estudiosos, o Pacto de Gomes e Ramiro Pais deve ser considerado o texto mais antigo escrito em português; no entanto, é apenas datável por conjectura (provavelmente anterior a 1173) e contém muitas formas gráficas latinas.
Outro importante documento, a Notícia de Torto, não datado, terá sido escrito entre 1211 e 1216: é uma longa narrativa dos agravos que o nobre Lourenço Fernandes da Cunha sofreu às mãos de outros senhores. Permanece o mais antigo documento particular datável conhecido escrito em português.
O Testamento de Afonso II, datado de 1214, é o texto em escrita portuguesa mais antigo que se conhece (e é consensualmente aceite como tal pela comunidade científica): conservam-se dois testemunhos do documento, um em Lisboa, outro em Toledo.
Estes documentos estão conservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa.
O vernáculo escrito passou gradualmente para uso geral a partir do final do século XIII. Portugal tornou-se um país independente em 1143, com o rei D. Afonso I. A separação política entre Portugal e Galiza e Castela (mais tarde, Espanha) permitiu a evolução em direcções opostas do latim vernáculo presente nos 2 países. Em 1290, o rei D. Dinis criava a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o português, que então era chamado "linguagem" fosse usado em vez do latim em contexto administrativo. Em 1296, o português foi adoptado pela Chancelaria Real. A partir deste momento o português passou a ser usado não só na poesia, mas também na redação das leis e nos notários.
Até 1350, a língua galego-portuguesa permaneceu apenas como língua nativa da Galiza e Portugal; mas em meados do século século XIV, o Português tornou-se uma língua madura com uma tradição literária riquíssima, e também foi adoptado por muitos poetas Leoneses, Castelhanos, Aragoneses e Catalães. Durante essa época, a língua na Galiza começou a ser influenciada pelo Castelhano (basicamente o Espanhol moderno), tendo-se também iniciado a introdução do espanhol como única forma de língua culta. Em Portugal a variante centro-meridional iniciou o caminho da modernização da língua tornando-se progressivamente a variante de língua culta do País.
Para pesquisa mais detalhada vá ao site:http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_l%C3%ADngua_portuguesa#O_despertar_da_L.C3.ADngua_Portuguesa

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